Falando Sério….
“Quem aceita a tirania, bem merece a condição;
Não basta viver, somente; É preciso dizer não!”
João
Cabral de Melo Neto
O espetáculo teatral vai
começar; Enquanto os atores se preparam para representar no palco, a
plateia, igualmente segura seus lencinhos para representar nas
poltronas.
O teor da peça já é
conhecido por todos que agora querem saber se serão tocados pela
obra, se a consideram válida, se ela se refere a acontecimentos que
essa plateia impoluta venha a considerar “justos”, bem de acordo
com a natureza existencial e social apreendida na
vida cômoda da maioria. Trata-se da peça “Morte e Vida Severina”.
A luta inglória pela posse de
terras que foram, ainda que em tempos muito remotos, tomados
injustamente e atribuídos documentos espúrios, que privilegiaram
alguns e detrimento de muitos, a fome, a miséria material e
intelectual, são também ressaltados na peça.
E todos representam.... choram
no palco... choram na plateia!
Que bom seria se o mundo fosse
diferente, onde ninguém passasse fome e onde o ser humano pudesse
ter uma consciência superior à dos outros animais sobre a razão de
nossa efêmera existência.
Isso talvez não importe muito
para a maioria que parece, a olhos vistos e ouvidos atentos, ávida
pela justiça social, ainda que isso lhe represente a perda de alguns
confortos.
Aí, como sempre…. nada
acontece! Apenas uma obra artística e literária que todos elogiam;
nada mais!
E os jornais e alguns
intelectuais propalam a tristeza da música Asa Branca, e não há
quem não considere injusta a situação do sertanejo sedento não
apenas de justiça, mas também sedento de um direito básico... a
água.
Por todo o país a educação
é questionada. Argumenta-se (não sem razão) a precariedade de
nosso sistema educacional e muito se pediu pela construção de
universidades para que a massa popular pudesse ascender ao benefício
da instrução. A instrução, é consenso, deve ser gratuita.
As filas infindas do SUS
(saúde pública), também já foram alvos de severas críticas por
parte de todos os seguimentos sociais e não houve quem não se
penalizasse com a situação humilhante em que o povo era ali
submetido, após saírem de suas casas, geralmente alugadas e em
precárias condições para tratarem-se de um mal crônico. Em
clínicas particulares é impossível tratar-se uma vez que os altos
custos, inclusive alto custo da consulta, dispensa qualquer
comentário.
E agora, voltando ao sistema
educacional, será que já está perfeito?
Evidentemente que não! Mas
uma “viagem de mil quilômetros começa com
um passo”. Muitas
universidades foram construídas, muitas bolsas estudantis foram
concedidas, muito material escolar foi distribuído, muito professor
conseguiu emprego, muitos alunos estão, hoje, fora do país sob os
auspícios do povo brasileiro, representado pela administração
Dilma.
Muitas pessoas vão hoje ao
SUS e já não perdem o dia inteiro e são tratados com mais
dignidade, saindo de suas casas que vieram do “Minha casa, minha
vida”, e até já se esqueceram dos telhados quebrados, com
goteiras e dos filhos que dormiam no chão.
É comum ouvirmos sobre o
“bolsa família” um ditado que eu diria, pra lá de batido: “é
melhor ensinar a pescar do que dar o peixe”
Sem considerar que ensinar a
pescar é ensinar a matar também, não custa lembrar que tem lugares
que não tem rio, e evidentemente não tem peixe. A pessoa ficaria
eternamente pescando e morreria a míngua.
No nordeste do Brasil é
assim, não tem rio, não tem indústria, não tem emprego, não tem
nada, e é por isso que se diz que “o nordestino é, antes de tudo,
um forte”.
É só voltarmos no tempo e
veremos que jamais o nordestino foi tratado com semelhante dignidade
como nos últimos tempos... os tempos da Dilma.
Mas e o resto do país?
É indiscutível que o governo
tem que tratar todo o povo com dignidade, não apenas os nordestinos.
O governo se parece com a
figura doméstica do “pai de família” e no caso da Dilma, mais
especificamente, '‘mãe de família’'.
E como os pais e mães cuidam
de sua prole. Dão a todos as mesmas benesses ou o fazem
proporcionalmente às necessidades de cada um?
É proporcional às
necessidades individuais.
Quem precisa mais no momento?
Qual dos filhos passa por maior apuro?
Essa questão aflige o governo
que precisa agir com justiça.
Deixando de lado nossas
ambições egoístas e olhando um pouco para nossos compatriotas,
vamos concluir que, no mínimo, não está tudo errado, se é que não
tem muita coisa absolutamente certa!
Jesus disse: “Por
causa dos enfermos, eu estou enfermo”
A doença, a miséria, e o
abandono contaminam toda a sociedade.
O sonho de todos, de uma
sociedade justa e igualitária é penoso e requer sacrifícios e
abnegação. O brasileiro jamais fugiu à luta e agora vai mostrar de
que fibra é feito.
Carlos
da Terra
27/10/14